As cinco castas que conquistaram o Olimpo!
A syrah, trovão de Zeus!
O deus do trovão insiste: diz-se « a » e não « o » syrah, por isso, por favor, não o irritem!
Esta casta, que não provém nem de Shiraz no Irão nem de Siracusa na Sicília, como a lenda durante muito tempo contou, nasceu no vale do Ródano. Sexta casta mais plantada no mundo, é aquela que regista o maior crescimento, +80% em dez anos!
Muito exposta a doenças e particularmente frágil, a syrah nunca foi rejeitada pelos viticultores de todo o mundo… Certamente a prova de uma bênção divina!
Potência aromática, persistência na boca, taninos sedosos e baixa acidez… Estas são as características dos vinhos que dela resultam. Não é de estranhar que esta casta tenha conquistado o coração do rei dos deuses.
A cor púrpura, sóbria e intensa com que a syrah veste a sua descendência confere-lhe um atrativo magnético. Os seus aromas típicos (especiarias, frutos negros e maduros, violeta) têm virtudes sedutoras às quais até os poderosos mitos não resistem. A prova: amante da boa vida acima de tudo, Zeus adora combiná-la com boa carne grelhada ou até uma deliciosa pizza!
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Posidónio: fora mourvèdre, não há salvação!
Não é surpreendente que o deus do mar e dos oceanos proteja esta casta, pois ela precisa de ter a cabeça ao sol e os pés na água! Nativa de Espanha, onde é chamada « monastrell », é a segunda casta mais plantada naquele país. Contudo, o mourvèdre desenvolve todo o seu carisma em Bandol, onde permanece a casta central num terroir que lhe é semelhante.
Com o nome de « mataro », era cultivada na Califórnia antes de cair em desuso. Isso mudou graças à intervenção dos Rhone Rangers, um grupo de viticultores apaixonados pelas castas do Ródano cultivadas na Califórnia, que lhe devolveram a sua hora de glória. Também um enorme sucesso na Austrália, onde o mataro seduz pela sua verdadeira frescura, pelos seus aromas solares de frutos negros, especiarias e couro novo. Casta muito tardia, geralmente colhida por último, mantém uma bela acidez que aporta frescura em assemblage.
Um pouco selvagem, tal como Posidónio, o mourvèdre gosta de contemplar o mar. No entanto, apesar deste ambiente marítimo, é mesmo com pratos carnudos, como caça, que se harmoniza na perfeição.
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« Grenache »-te, Dionísio!
Carnal e jovial, Dionísio, deus da festa e do vinho, seduz pelo seu estilo amigável e especiado. O seu mecanismo do coração partilha-o completamente com o grenache negro, casta originária da província de Aragão, em Espanha.
Muito versátil, a « garnacha negra » sabe evoluir em terroirs variados: solos pedregosos, xistosos ou calcários. Longe de se limitar à Rioja e à Catalunha, vive dias felizes em Itália, Portugal, Grécia, nos países do Magrebe, na Califórnia, na América do Sul, na África do Sul e na Austrália, uma verdadeira viajante do mundo, em suma!
Dionísio vê o grenache como um vetor de boa disposição, e não se pode discordar. A sua cor púrpura com reflexos rubis, os seus taninos suaves, assim como os seus aromas de cereja ou azeitona preta e tabaco fazem dele um vinho muito agradável de degustar.
Dionísio, que sabe animar como ninguém, não imagina um momento convivial sem grenache. Assim que o sol aparece, o filho de Zeus reúne a família e prepara um belo cordeiro assado ou grelhado que não deixa de acompanhar com um vinho da sua casta preferida!
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Deméter faz um flan pelo seu carignan
Depois de uma dura travessia do deserto, esta casta orgulha-se do seu atual sucesso, das Corbières ao sul da Catalunha. Vítima das suas próprias capacidades de produção colossal, o carignan gerou vinhos magros com taninos verdes durante os anos de produção em massa no Languedoc.
Deméter, deusa das terras e das colheitas, ergueu-se contra as vagas de arranque que teve de enfrentar. Hoje, esta casta meridional por excelência leva uma vida tranquila em belos socalcos, em vinhas velhas, em terroirs quentes e muito soalheiros. Dá resultados extraordinários, não é Deméter que dirá o contrário!
Apolo entra em campo pelo cinsault
Deus da verdade, Apolo aprecia os vinhos rosés do Mediterrâneo, leves e frutados, dos quais o cinsault é a essência. Gosta destes vinhos despreocupados com aromas de groselha, groselha vermelha e pêssego.
Em tinto, o cinsault é progenitor de vinhos crocantes e frescos, leves em álcool, que agradam muito ao público feminino… E neste ponto, não há dúvidas, Apolo sabe falar às mulheres!
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Hermes, como bom mensageiro dos deuses, quer sublinhar que haveria muitas outras castas meridionais a mencionar! De Espanha à Grécia, da Turquia ao Marrocos… Sem esquecer as castas brancas do Mediterrâneo que também têm os seus belos aspetos, mas isso é um segredo que os deuses ainda querem guardar!