Os 3 arquitetos que mudaram a face do vinho
Descubra as proezas artísticas e tecnológicas de arquitetos ou designers que mudaram o rosto do vinho nos últimos 30 anos…
A primeira, primeira vez...
Uma das primeiras incursões do design no vinho data de 1987, tendo tomado a forma de uma colaboração entre o arquiteto catalão Ricardo Bofill e o Château Lafite Rothschild, premier cru classé 1855 em Pauillac, para a construção de uma adega (a adega é o local onde ocorre a vinificação, ou seja, a transformação da uva em vinho).
Foto: Château Lafite Rothschild (33250 Pauillac)
Por que é especial? Este imenso edifício caracteriza-se pela sua forma octogonal atípica e pelas suas 16 colunas sustentadas por uma abóbada central. Impressionante!
O que se faz lá? Os viticultores deixam envelhecer os vinhos do segundo ano, a adega pode conter até 2200 barricas. Muitos concertos e gravações são regularmente organizados, a acústica surpreendente deste local único atraindo músicos de todo o mundo.
> Resultado: uma adega que poupa 300 km de caminhada por ano ao enólogo em comparação com os múltiplos túneis que existiam anteriormente e que atrai mais de 3000 visitantes por ano.
Ah, inovação quando nos agarras!
O mais inovador tecnicamente é fruto de uma colaboração entre as equipas do Cos d’Estournel, 2º grand cru classé em Saint Estèphe, e Jean-Michel Wilmotte, o famoso arquiteto francês.
Foto: A adega do Cos d'Estournel (33180 Saint-Estèphe)
Por que é especial? Situada a 11 metros de profundidade, é a primeira adega que permite uma vinificação por gravidade. O princípio: da vindima ao engarrafamento, a uva nunca é manipulada por bomba.
O que se faz lá? 4 cubas elevatórias e 72 cubas termorreguladas asseguram os movimentos gravitacionais de toda a adega e 1500 barricas estão perfeitamente alinhadas.
> Resultado: uvas manipuladas com o máximo cuidado, a expressão do terroir respeitada ao máximo e vinhos que ganham em finesse. A aposta foi ganha porque a propriedade soube inovar tecnicamente enquanto atraía a atenção para a sua proeza.
Como uma lâmina caída do céu!
A realização mais impressionante é, sem dúvida, a do designer Philippe Starck e do arquiteto Luc Arsène-Henry para o Château Les Carmes Haut-Brion, a única propriedade situada no coração de Bordéus.
Foto: Château Les Carmes Haut-Brion (33000 Bordéus)
Por que é especial? Uma adega ultra moderna em forma de lâmina ou casco de barco que parece estar pousada numa lagoa, é uma adega que não se parece com nenhuma outra.
O que se faz lá? O edifício tem 2 000 m2 distribuídos por 4 níveis, 300 barricas são armazenadas, há também uma sala de receção das vindimas, um espaço de degustação e um terraço panorâmico para admirar a propriedade.
> Resultado: A adega de barricas está situada 4 metros debaixo de água, o que permite obter uma humidade e temperatura favoráveis à conservação do vinho.