O vinho é realmente bom para a saúde? Vamos esclarecer.
“Um copo de vinho por dia faz bem à saúde”, “O vinho tinto não engorda!”, e tantas outras… Todos já ouvimos estas pequenas frases que tentam tranquilizar-nos no momento de abrir uma garrafa de vinho.
Entre os benefícios proclamados do vinho tinto e os seus efeitos menos gloriosos, onde está a verdade? O vinho é realmente bom para a saúde… ou apenas uma desculpa bem elaborada para nos sentirmos menos culpados?
Hoje, vamos desvendar o que é verdade e o que é mito, sempre com moderação e um toque de ciência.
"Um copo de vinho por dia faz bem à saúde"
Provavelmente é a ideia errada mais ouvida. E, na realidade, não surge do nada. Alguns estudos destacaram os benefícios dos antioxidantes presentes no vinho tinto — nomeadamente um chamado resveratrol, que se encontra na pele da uva.
É conhecido por proteger o coração, reduzir o colesterol mau, preservar as células, a memória… e até parece ter efeitos inesperados, como melhorar a aparência da pele.
Mas atenção: só porque um ingrediente é benéfico, não significa que o produto inteiro e os seus outros componentes sejam uma poção mágica. Além disso, os efeitos positivos observados fazem parte de um estilo de vida global: alimentação saudável, atividade física, pouco ou nenhum tabaco.
Em suma, o vinho sozinho não faz milagres. Um copo de vez em quando? Por que não. Mas não pelos benefícios. Pelo prazer, pelo aprendizado, pela descoberta de novos produtos. E sempre com moderação.
"O vinho não engorda"
Vamos às bases: um copo médio de vinho tinto (12,5 cl) tem cerca de 110 calorias… é razoável, especialmente se compararmos com uma caneca de cerveja (que pode chegar a 200), ou um mojito muito doce (que ronda as 250). Mas de onde vêm as calorias? Recorde-se que o açúcar das uvas é transformado em álcool pelas leveduras durante a vinificação. Ou seja, quanto maior o teor alcoólico do vinho, mais calorias contém.
O mesmo se aplica ao vinho branco. Quanto mais seco for, menos calorias terá (por vezes até menos que o tinto, devido ao teor alcoólico mais baixo), e inversamente, quanto mais doce for (vinho suave como o Sauternes, por exemplo), mais calorias terá. No entanto, o vinho não é exceção às outras bebidas alcoólicas, também contribui para o aumento de peso.
Não é um passe para emagrecer. Além disso, o álcool, mesmo em pequenas quantidades, retarda a queima de gorduras e muitas vezes estimula o apetite. Resultado: pensava que ia beber “só um copo pequeno” e acaba por petiscar chocolate até à meia-noite.
Portanto, não, o vinho não emagrece. Mas se quiser evitar disparar no contador, é melhor escolher um copo de vinho tinto ou branco bem selecionado do que um cocktail carregado de açúcar.
"O vinho e a cerveja não são tão fortes como outros alcoólicos"
No rótulo, é verdade: um vinho costuma ter entre 12 a 14°, e uma cerveja cerca de 5°. Estamos longe do rum a 40°. Mas atenção: tudo depende da quantidade servida.
Um copo de vinho (12,5 cl), uma caneca de cerveja (50 cl) ou um copo pequeno de whisky contêm aproximadamente a mesma quantidade de álcool puro. A diferença? Costumamos beber estes mais facilmente… e por vezes muito mais rápido devido à sua leveza.
Por isso, não pense que vai evitar a tontura bebendo um copo de vinho em vez de um cocktail.
"O vinho tinto dá mais dores de cabeça que o branco"
Também neste debate, é comum ouvir opiniões diferentes. Mas o que diz a ciência? No passado, vários estudos científicos apontaram os sulfitos (compostos químicos derivados do enxofre usados como aditivos para melhor conservação do vinho) como responsáveis por desencadear ou agravar enxaquecas em algumas pessoas.
Estudos recentes também implicaram outro antioxidante, a quercetina, dez vezes mais presente na pele e nas sementes das uvas tintas em comparação com as brancas.
É igualmente verdade que cada pessoa tem uma sensibilidade diferente a estes compostos.
Uma coisa é certa: o álcool desidrata o corpo, incluindo o cérebro. E como este odeia sentir sede, sabe muito bem como se vingar… Por isso, não é por acaso que se recomenda uma regra simples: um copo de vinho, um copo de água. Beber água é essencial para evitar ressacas difíceis.
"Beber vinho favorece a longevidade"
A grande lenda? É o famoso paradoxo francês: alguns investigadores notaram que, apesar do amor pelo queijo e pelo vinho, os franceses têm taxas surpreendentemente baixas de doenças cardíacas.
Graças a quem? Ao vinho tinto e às suas armas secretas: polifenóis e resveratrol… Ou seja, componentes que aumentam o colesterol bom, reforçam a imunidade, reduzem o risco cardiovascular e até têm propriedades antivirais e antibacterianas. Teoricamente, compensam um pouco todos os prazeres e gorduras da mesa!
Alguns estudos científicos confirmaram e apoiaram amplamente esta teoria. Mas este paradoxo tem sido muito matizado e questionado. Não é o copo de vinho que prolonga a vida, é o estilo de vida global: alimentação equilibrada e ritmo de vida… O consumo excessivo de vinho aumenta mesmo os riscos de cancro, como os estudos recentes salientam com insistência.
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"O vinho reduz o stress"
Quem nunca ouviu o famoso “vou beber um copo para relaxar depois do dia”? E sim, é verdade que o álcool parece atuar no sistema nervoso e ajuda a aliviar a pressão… MAS apenas momentaneamente.
A longo prazo? O álcool pode perturbar o sono, aumentar a ansiedade e até baixar o ânimo. Em suma, este pequeno ritual “anti-stress” pode rapidamente tornar-se num círculo vicioso.
Por isso, para relaxar: um banho quente e uma playlist suave ou uma série com uma barra de chocolate também funcionam, prometo.
Portanto, não, o vinho não é um remédio milagroso e nunca substituirá um bom estilo de vida. Mas num contexto saudável, com uma boa refeição, uma boa conversa, é obviamente possível consumir um copo com moderação (e não a garrafa inteira) para aprender mais sobre degustação, acompanhar o prato, descobrir regiões vinícolas.