Sabia que #1 Filtrar ou não filtrar
SABIA QUE #1: Filtrar ou não filtrar
Para começar a nossa série de Sabia que, escolhi falar-vos dos filtros!
Quando o vinho ainda está na cuba na adega, ou nos barris (consoante esteja em fase de fermentação ou de envelhecimento), por vezes encontra-se muitas partículas sólidas mais ou menos grandes que se distinguem do sumo:
- Partículas provenientes da própria uva: pedaços de pele, pedaços de grainhas, folhas ou engaço (caule dos cachos)
- Leveduras: são elas que transformam o açúcar da uva em álcool durante a fermentação (como um pequeno Pacman que come o açúcar, regurgita-o em álcool e até faz pequenas flatulências de CO2... INCRÍVEL!)
- Bactérias: mais ou menos nocivas, que podem, por exemplo, dar um toque animal ao vinho (cheira a estábulo velho, cavalo a suar e outras alegrias equestres)
- E muitas outras coisas estranhas: moléculas, iões, coloides…
O problema é que não queremos necessariamente encontrar tudo isso no nosso vinho. Primeiro porque os hábitos de consumo fazem com que o consumidor final não goste de ver coisas estranhas no seu copo, mas também porque a presença de partículas pode ser perigosa para a estabilidade do vinho (o vinho poderia voltar a fermentar na garrafa).
É por isso que se procede, antes do engarrafamento, à filtração do sumo.
Existem vários sistemas de filtração, mas para simplificar, é como um passador para a farinha, ou um escorredor para a massa, só que parece mais uma grande máquina um pouco estranha com placas filtrantes (compostas por cartão de fibras de celulose vegetal) ou terra absorvente.
Fazemos o vinho entrar na máquina e, com a pressão, ele passa pelos filtros e sai todo limpo! Podemos obviamente escolher o grau de filtragem que queremos para o vinho.
Usamos o "índice de turbidez" (teor de "impurezas" de um fluido, neste caso o vinho) para decidir a intensidade da filtragem e o número de filtragens necessárias.
Aqui está o bicho:
Inserimos os filtros escolhidos (folhas de celulose) em cada placa. Depois apertamos tudo com a pressão desejada.
E o vinho entra por um tubo numa das duas válvulas e sai filtrado pela outra!
MAGIA MAGIA
A decisão de filtrar ou não deve ser tomada equilibrando o risco de falta de filtragem com a vontade de manter a estrutura e a suavidade no vinho. Porque o problema da filtragem é que ela não é seletiva (exceto pelo tamanho das partículas), portanto elimina também os elementos que contribuem positivamente para a textura na boca e para os aromas!
Por isso, muitas vezes é um sinal de qualidade quando o vinho não precisa de ser filtrado. O viticultor confia nas partículas que permanecem no seu vinho e não o empobrece com a filtragem. Frequentemente, os vinhos que foram envelhecidos durante muito tempo em barrica não precisam de ser filtrados porque o depósito se formou naturalmente, por gravidade. Pelo contrário, um vinho vinificado rapidamente, do tipo Beaujolais nouveau, será geralmente muito filtrado!
Saúde!
Não