Blog As novidades do vinho O pisco, a aguardente misteriosa da América Latina
Le pisco, l'eau-de-vie mystérieuse d'Amérique Latine

O pisco, a aguardente misteriosa da América Latina

Ah o Pisco... só o nome já nos leva pelas estradas da Cordilheira dos Andes.

Sim, mas o pisco é motivo de disputa: o Peru e o Chile reivindicam ambos a paternidade desta bebida! Uma rivalidade tão antiga quanto o mundo, que não impede este álcool de ser a base de um cocktail fantástico: o Pisco Sour.


O que é o pisco?

O pisco é o álcool que o bom e velho capitão Haddock bebe no episódio de Tintin, O Templo do Sol. Ok, vamos ser sérios por cinco minutos.

Originalmente, o pisco é um destilado feito a partir da destilação de uvas. Atenção, nada a ver com a grappa dos nossos amigos italianos. Sim, meu caro Jamy, o pisco resulta da destilação do cacho inteiro da uva. Enquanto a grappa, por exemplo, usa apenas o que sobra do cacho, depois da extração do mosto, que serve para o nosso querido vinho.
Usam-se uvas bastante doces, pois crescem em locais muito quentes. O produto é depois vinificado e destilado uma ou várias vezes. Pode envelhecer um pouco ou ser vendido diretamente. Importa referir que a produção do pisco não é fácil: são necessários cerca de 7 kg de vinho para obter um litro de pisco.

Qual é o sabor?

O pisco tem um sabor bastante único. Não vamos mentir, tal como o conhaque, é um álcool forte e seco. Por isso, encaixa melhor num cocktail, como o famoso Pisco Sour (falamos dele já a seguir) ou o chilcano. Para o apreciar plenamente, como qualquer destilado, não faça rodar o álcool no copo. Faça-o antes rolar lentamente de lado. Em termos de sabores, pode ser interessante adicionar ao pisco aromas doces, ácidos ou amargos. O limão, por exemplo, é perfeito!

No Petit Ballon, como gostamos de vos oferecer sempre novidades, selecionámos um pisco chileno!

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Na região do vale de Tulahuen, aos pés dos Andes, o vinho especialmente elaborado para este pisco provém da vindima de uvas muscat rose e muscat de Alexandria, colhidas à mão, que crescem perto da destilaria. No copo, é frutado, com aromas de uvas frescas, pimenta e melão. Prometemos, vale a pena experimentar!

O Pisco Sour

Quer surpreender os seus amigos e fazer-se passar por um velho lobo do mar que já navegou pelo mundo inteiro? O Pisco Sour é uma delícia, feito com pisco e lima. É cremoso e fresco!

Segundo a International Bartenders Association (a sério agora), aqui está a receita.

Ingredientes :

4,5 cl de Pisco
2 cl de xarope de açúcar
3 cl de sumo de lima
1 clara de ovo

Preparação

Passo 1: Misture os ingredientes num shaker
Passo 2: Adicione algumas gotas de Angostura bitters por cima
Passo 3: Acomode-se confortavelmente no seu sofá e solte um "Viva el Peru hombre" de forma descontraída.


A polémica: quem é o pai do pisco?

É hora de abordar o tema polémico. Desde sempre, o Peru e o Chile disputam a paternidade do pisco. Imagine só: é como se os gregos viessem dizer que o pastis é deles! Não, mas oh, estás maluco ou quê?

Mais a sério, o debate é complicado. No início, no século XVI, as primeiras castas vieram das Ilhas Canárias, trazidas pelos conquistadores, para o sul de Lima, no Peru. Lá, os peruanos começaram a produzir uma aguardente de uva e a exportá-la para outras colónias, a partir do porto de... Pisco (curioso, não?).


Mas onde entra o Chile nesta história, perguntará? Pois bem, existe também uma pequena vila chamada Pisco Elqui, no Chile. E historiadores aí descobriram o testamento de um certo Marcelino Gonzalés Guerrero, datado de 23 de maio de 1733, que cultivava vinhas na vila. O inventário do documento menciona equipamentos de destilação e "três talhas de pisco". AH!

Esta prova leva os historiadores a pensar que o bom Marcelino foi provavelmente o proprietário da primeira pisquera da América. Evidentemente, do lado peruano, custa-se a acreditar nesta história.
Segundo eles, as primeiras referências ao pisco no Peru datam de 1613, num testamento que legava material de produção e destilação. O jornal Le Monde relata assim que "independentemente destas controvérsias, está estabelecido que, desde a chegada dos espanhóis no século XVI, a vinha prospera nesta região onde a cidade portuária de Pisco se dedica há mais de quatrocentos anos ao comércio e exportação da aguardente de Pisco".

Enfim, o mistério permanece! Isso não muda o facto de ser uma bebida a descobrir, nem que seja para variar um pouco!

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