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À la rencontre de Fabien Kouachi : Sensibiliser pour sauver les abeilles

À la rencontre de Fabien Kouachi : Sensibilizar para salvar as abelhas

De 31 de maio a 9 de junho de 2024 decorrerá a 8.ª edição da semana das Flores para as Abelhas, iniciada pela OFA, o Observatório Francês de Apidologia, e organizada pela VALHOR, a Interprofissão francesa de horticultura, floricultura e paisagismo. O objetivo? Sensibilizar para o papel decisivo das abelhas enquanto principais polinizadoras, na biodiversidade e na segurança alimentar. Para melhor compreender os desafios, fomos falar com Fabien Kouachi da OFA.


 

Olá Fabien, podes apresentar-te em poucas palavras?

Sou Fabien Kouachi, trabalho na OFA há cinco, seis anos, já perdi a conta (risos). Tive a oportunidade de assistir à evolução da associação, aos desafios das suas ações e à mudança na perceção dos nossos concidadãos.

Sou diretor das operações de sensibilização. Tenho formação em ecologia. O meu objetivo é dar a conhecer o trabalho da OFA ao grande público, às escolas, às autarquias, e sensibilizar o maior número possível de pessoas. É um trabalho de intermediário.

De 31 de maio a 9 de junho decorrerá a semana Flores para as Abelhas. Do que se trata?

Este ano será a 8.ª edição desta campanha. Quando a criámos, a problemática das abelhas não era bem compreendida pelo grande público. Pensámos então que era necessário criar um evento em torno da salvaguarda das abelhas. Criámos esta campanha com uma mensagem clara e uma ação associada: sabendo que uma das causas da mortalidade das abelhas é a falta de recursos alimentares, o que melhor do que propor às pessoas semear sementes de flores melíferas das quais as abelhas se alimentam? É a primeira campanha de sensibilização deste género: nos últimos 8 anos, alcançámos entre 12 e 13 milhões de pessoas. É um verdadeiro evento agregador!

Por que razão as abelhas estão em perigo?

Existem causas multifatoriais. Hoje, com as nossas pesquisas, é mais fácil responder a isso. A biodiversidade (e portanto os polinizadores) é afetada pela atividade humana: o uso massivo de produtos fitossanitários, a escassez de recursos alimentares, as práticas agrícolas (solos nus, sem sebes, sem abrigo para os polinizadores), a invasão de espécies como o zangão asiático, todos estes fatores aumentaram o risco de mortalidade das abelhas domésticas em 30% e das abelhas selvagens em 50%. A este ritmo, caminhamos para uma extinção massiva da espécie.

Qual é o papel das abelhas na biodiversidade?

As abelhas têm um lugar histórico na escala da vida. Surgiram na Terra há 100 milhões de anos. Paralelamente, emergiram as plantas angiospérmicas, mais conhecidas como “plantas com flor”. Desenvolveu-se então um sistema de coevolução: umas dependiam das outras. Isto é o que chamamos polinização: as plantas com flor precisam das abelhas, moscas, borboletas para se reproduzirem, transportando o pólen de uma espécie para outra. E as abelhas precisam das flores para se alimentarem.

Podemos dizer que 70% das plantas selvagens dependem das abelhas. É portanto um dos pilares da biodiversidade.

E qual é a ligação entre a abelha e a vinha?

Por si só, as vinhas domésticas não precisam das abelhas para florescer, pois são autoférteis.

No entanto, a vinha selvagem precisa!

Contudo, a biodiversidade em redor dos vinhedos é um dos desafios para uma viticultura ecológica, resiliente e sustentável. E para isso, as abelhas têm um papel indispensável na polinização.

A biodiversidade é um todo, tudo está interligado. Por isso, para ter solos vivos, solos resilientes, vinhas mais resistentes, as abelhas são essenciais.

Por que é importante que as abelhas se aproximem dos vinhedos?

Muitos domínios vitícolas perceberam que reintegrar as abelhas nos vinhedos é devolver vida, biodiversidade. Há um processo positivo: as espécies cuidam umas das outras. Um ecossistema restaurado e saudável é indispensável para a qualidade dos vinhos.

Além disso, através de experiências científicas, estudamos o impacto das abelhas na vinha e no vinho, mesmo que seja indireto.

O que mudou desde o lançamento da campanha?

Uma maior consciencialização! Hoje, toda a gente está consciente de que todos os polinizadores são afetados pelas alterações climáticas e pelas más práticas agrícolas. Além disso, a investigação avançou, tudo está agora comprovado cientificamente.

No entanto, ainda é cedo para ver efeitos nas populações de abelhas.

Quais são os pequenos gestos que cada um pode fazer para ajudar a salvar as abelhas?

Se temos um jardim ou uma varanda, podemos deixar a natureza florescer, colocar um pratinho de água para as abelhas, insetos, assim como pequenos abrigos. Podemos cultivar flores melíferas (urze, lavanda, hortelã...) para que as abelhas possam alimentar-se. E, enquanto consumidores, podemos escolher produtos provenientes de domínios que não utilizam pesticidas: são atos de cidadania comprometidos!

Há imensas ações que podemos fazer sem que sejam vistas como uma obrigação. Cuidar das abelhas pode também ser uma fonte de prazer!

Também sensibilizam muito os mais jovens, eles são receptivos?

Sim, as gerações mais jovens são muito importantes para nós: deixamos-lhes um mundo um pouco complicado para as próximas décadas, por isso tentamos sensibilizá-los muito para que sejam agentes da evolução para um mundo melhor. Os mais jovens compreendem perfeitamente os desafios e são muito curiosos!

 

Le Petit Ballon e a OFA associam-se e incluíram, em algumas caixas, um saco de sementes para semear. Fazes parte dos sortudos? Semeia-as e torna-te um ator indispensável para a salvaguarda dos polinizadores! Para quem quiser participar, também podem comprar sacos de sementes no site www.flowersforbees.com

 

 

 

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