Um componente da cerveja seria benéfico para o cérebro
Graças a novas técnicas de análise, cientistas acabaram de reavaliar a quantidade de vitamina B6, indispensável para a atividade cerebral, na cerveja. E a segunda boa notícia é que não é preciso que contenha álcool para beneficiar dela!
Obrigado, ciência
É sempre surpreendente constatar que até mesmo as bebidas alcoólicas, cujo consumo deve ser moderado para evitar riscos à saúde, contêm alguns nutrientes úteis para o nosso organismo. Ainda mais surpreendente é que os cientistas não relaxam seus esforços para encontrar esses nutrientes, como mostram os estudos regulares sobre o tema: a cerveja reduz o risco de cancro, ajuda a controlar o diabetes, os homens que bebem cerveja têm menos ataques cardíacos… O mais recente concentrou-se nos níveis de vitamina B6 nas nossas canecas, com resultados mais do que positivos.
Uma equipa da Universidade de Munique, na Alemanha, determinou assim que a cerveja contém muito mais vitamina B6 do que os estudos anteriores tinham indicado, segundo um artigo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry. Para isso, os cientistas usaram novas metodologias de análise em 65 referências de cervejas, obviamente alemãs,
Embora seja extremamente benéfica para o cérebro, o sangue e o sistema imunitário, a vitamina B6 não é sintetizada naturalmente pelo organismo humano, ao contrário de outras como a D ou a K. Integrá-la na alimentação é portanto necessário, e as entidades de saúde pública estimam que uma parte significativa da população tem défice. Segundo o estudo alemão, um copo de cerveja padrão cobre cerca de 15% das necessidades diárias de B6.
A cerveja sem álcool continua no topo
As pesquisas revelaram concentrações desta vitamina que vão de 95 a mais de 1 000 microgramas por litro, dependendo do tipo de cerveja, com variações relacionadas às matérias-primas usadas e não às técnicas de fabrico. Os níveis eram assim mais elevados nas cervejas do estilo bock, fabricadas com cevada, do que nas cervejas que contêm trigo ou arroz. A cevada contém assim quatro vezes mais vitamina B6 do que o arroz.
E a boa notícia é que as concentrações nas cervejas sem álcool não são mais baixas, é mesmo o contrário! A técnica utilizada influencia até os níveis de B6 no produto final, sendo estes mais elevados após processos de desalcoolização como a destilação a vácuo ou a filtração por membrana, em vez de limitar a produção de álcool logo na fermentação. Algumas garrafas de 50 centilitros de lagers sem álcool cobrem mesmo quase um quarto da ingestão diária recomendada de B6 para uma mulher.
Isso quer dizer que a cerveja é boa para a saúde? Não, ainda não! A equipa de cientistas lembra aliás no seu estudo que o consumo de álcool tem sempre efeitos mais negativos do que positivos no organismo humano, estando associado a riscos de cancro, doenças crónicas e perturbações psíquicas. Por isso, privilegie sempre a moderação, ou mesmo as cervejas sem álcool, e para a B6, pode sempre recorrer a outras fontes como frutas, leguminosas ou peixe!
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Artigo escrito por Hélène et les Houblons para Le Petit Ballon.