A casta da semana: o pinot noir
A cacho do Pinot Noir assemelha-se a uma pinha, por isso se chama “pinot”!

Origem
O pinot noir tem uma história muito longa. Os especialistas concordam em reconhecê-lo numa descrição feita pelo agrónomo Columelle, no primeiro século da nossa era. Pode-se afirmar que quando a Gália foi conquistada pelos Romanos, o pinot noir já era cultivado lá. Geralmente considera-se que é originário da Borgonha, região que continua a ser a sua verdadeira pátria.
Descrição:
O pinot noir, casta nobre de maturação precoce, pode ser cultivado nas condições climáticas severas do Norte da Europa. O rendimento desta planta é bastante baixo, pelo menos para culturas que respeitam a qualidade do vinho (menos de cinquenta hectolitros por hectare).
Definição:
É uma admirável casta tinta. Devemos-lhe os grandes vinhos da Borgonha e da Champagne onde está associada ao Chardonnay e ao Pinot Meunier!
O pinot noir reconhece-se pela sua folha pouco recortada com uma cloque forte e regular. Os cachos compactos são pequenos a médios. Quanto às bagas, são pequenas, apertadas em redor do cacho, esféricas ou ligeiramente ovóides, e a sua película é espessa. O sumo é doce e incolor. É a matéria colorante da pele que, ao dissolver-se no sumo, dá aos vinhos essa cor brilhante. Dá aromas de fruta de verão.
Tem um desborra precoce, resiste bem ao frio do inverno, pode ser produtivo dependendo dos clones, é sensível ao míldio, oídio, cicadelídeos e à podridão cinzenta.
Vinho e Aromas: Cereja, groselha preta, alcaçuz. E conforme a proveniência: espinheiro-alvar, banana, urze, cacau, café, canela, cepa, cogumelo, chocolate, marmelo, tostado, couro, tâmara, figo, fetos, morango, framboesa, groselha, jasmim, hortelã, mirtilo, musgo, amora, almíscar, cravo, peônia, ameixa, rosa, rosa murcha, sabugueiro, trufa, violeta…
Conforme o terroir e a vinificação, os seus vinhos são leves e frutados, finos e delicados; femininos dirão alguns. Mas atenção! Podem tornar-se encorpados e intensos. Nomeadamente na Côte de Nuits na Borgonha.
Utilização:
A utilização natural é a produção de vinhos tintos de bela cor e grande complexidade aromática, que envelhecem bem. Estas variedades são na origem dos grandes crus da Borgonha.
Na verdade, o sumo desta casta, como todos os pinots, é incolor e permite também obter vinhos brancos desde que o mosto seja separado muito rapidamente das películas. Assim, na Champagne, é frequentemente vinificado em branco; pode contudo ser usado para elaborar champanhes rosés por uma prensagem mais intensa desta casta (para permitir a extração dos taninos e corantes da pele).
Na Champagne, o pinot noir é também a casta da AOC tinto Coteaux champenois e do Rosé des Riceys. Também se encontram na Alsácia produções confidenciais de branco de noir, vinho tranquilo obtido a partir de pinot noir colhido em plena maturação.
Os melhores vinhos de pinot provêm de vinhas plantadas em solos calcários e cultivadas apenas em climas temperados. Em 1395, Filipe, o Audaz, duque da Borgonha, proibiu o cultivo do gamay em favor do pinot noir nas suas terras. Foi o primeiro decreto alimentar do mundo, precursor das denominações de origem controlada (AOC). Um decreto assinado muito antes do Reinheitsgebot alemão que define os ingredientes autorizados na produção de cerveja na Alemanha.
No Sul de França, devido à precocidade da casta, as uvas amadurecem durante as grandes ondas de calor, o que dá vinhos com elevado teor alcoólico mas sem interesse.
Em França, o cultivo do pinot noir está em crescimento e ultrapassa atualmente os vinte e cinco mil hectares. Os principais vinhedos estão na Champagne (onze mil hectares) e na Borgonha (dez mil hectares); está também presente no Vale do Loire, na região Jura-Saboia e na Alsácia, onde produz o único vinho de cor vermelha clara da região.
Mas é na Borgonha que os pinots noirs se expressam plenamente, produzindo vinhos exportados para todo o mundo. A propriedade da Romanée-Conti em Vosne-Romanée produz um dos vinhos mais caros do mundo[1].
Sinónimos
Blauburgunder Suíça alemã
Spätburgunder Alemanha
Clevner (nome tradicional) Suíça alemã
Plant Fin, Pinot fin, noirien Jura França
Auvernat Orleães França
Noble Touraine França
morillon, mourillon, bourguignon Auvergne França
Gastronomia
É difícil definir com precisão harmonizações válidas para todos os pinots, dado que o seu estilo pode variar muito de produtor para produtor. Em regra geral, pela sua finesse, o pinot noir harmoniza melhor com carnes brancas ou algumas carnes vermelhas. Acompanha também aves ou queijos pouco intensos.
Mas, devido à sua finesse, pode também ser consumido sozinho, apreciando a sua delicadeza, textura sedosa e frutado.
Onde se encontra no mundo:
Os vinhedos plantados com Pinot Noir representam atualmente uma área de 66.562 ha no mundo. 40% situam-se em França, cerca de 20% nos Estados Unidos e 17,5% na Alemanha. A percentagem restante distribui-se entre Austrália, Nova Zelândia, Itália, Chile e Argentina. África do Sul, Áustria e Luxemburgo completam a lista com percentagens muito menores.
Na Suíça, o pinot noir é a principal casta tinta. No cantão de Neuchâtel, produz-se também um famoso rosé chamado «Œil-de-Perdrix». O famoso «Dôle» no cantão do Valais é uma mistura de pinot noir (mínimo cinquenta e um por cento) e gamay.
Nos Estados Unidos, o pinot noir é a principal casta cultivada no estado do Oregon.
Na Nova Zelândia, o pinot noir é também cultivado com muito sucesso.
Informações adicionais para os mais técnicos:
Ramo: Porta horizontal; verde com nós rosados
Extremidade do ramo: Esbranquiçada; pelos abundantes e deitados
Folhas jovens: Verde esbranquiçado
Folha adulta: Geralmente pouco recortada; espessa, cloque forte e regular; dentes com lados convexos; seio peciolar pouco aberto, frequentemente sobreposto; poucos pelos
Cacho: Pequeno a médio; compacto; por vezes millerandé
Baga: Pequena, frequentemente deformada (compacidade); azul-preta; pruinoso; sumo incolor; película espessa; sabor neutro
Sarmento: Castanho-rosado com nós castanhos
Fenologia: Desborra e maturação bastante precoces (um pouco antes do Chasselas)